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Ceará projeta R$ 13,8 bilhões em parcerias público-privadas; veja projetos

Planejamento fiscal detalhado até 2035 busca suprir a escassez de recursos públicos e antecipar obras estruturantes por meio do capital privado.

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O Governo do Estado do Ceará deve investir cerca de R$ 13,8 bilhões em parcerias público-privadas (PPPs) até 2035. O montante é previsto para cobrir contraprestações de projetos já contratados e novas frentes de infraestrutura, como saneamento básico, atendimento ao cidadão e segurança hídrica.

Os valores foram divulgados no Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO), no Diário Oficial do último dia 29 de maio. O documento é uma obrigação do Poder Executivo, que tem o prazo de 30 dias após o encerramento de cada bimestre para publicar.

Nesse relatório estão PPPs como os serviços do Vapt Vupt e a usina de dessalinização, entre outros.

Consolidação dos desembolsos previstos para todas as PPPs do Estado
(contratadas + a contratar)

  • 2026: R$ 407.514.386,64
  • 2027: R$ 747.976.113,20
  • 2028: R$ 879.189.287,04
  • 2029: R$ 992.908.196,21
  • 2030: R$ 1.240.907.618,53
  • 2031: R$ 1.408.133.506,11
  • 2032: R$ 1.681.841.447,65
  • 2033: R$ 2.006.585.622,16
  • 2034: R$ 2.246.910.436,49
  • 2035: R$ 2.243.488.376,57
  • Total: R$ 13.855.454.990,60.

Evolução anual dos principais investimentos
(totais projetados)

Planta de Dessalinização (Cagece): reforço no abastecimento de água:

  • Início/Fim nesta série: julho de 2027 a 2032.
  • Valor total no período: R$ 830.785.543,37.

Unidades Vapt-Vupt: atendimento integrado ao cidadão:

  • Início/Fim nesta série: já em operação; projeção até 2029.
  • Valor total no período: aproximadamente R$ 330,6 milhões.

Esgotamento Sanitário - Bloco Sertões de Crateús-Ibiapaba: expansão de rede

  • Início/Fim nesta série: 2027 a 2035 (continuado).
  • Valor total no período: aproximadamente R$ 1,36 bilhão.
  • Esgotamento Sanitário - Bloco Três Climas-Maciço: saneamento básico
  • Início/Fim nesta série: 2027 a 2035 (continuado).

Valor total no período: aproximadamente R$ 1,18 bilhão.

Qual o papel de uma PPP?

Segundo o economista Wandemberg Almeida, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), o modelo de PPP é vital quando a capacidade de investimento direto do poder público se esgota.

"Muitas vezes, a gente percebe que o recurso que tem no Estado é escasso e, por conta dessa escassez, não é suficiente para realizar grandes obras de forma imediata. As parcerias permitem que o investimento privado seja utilizado para antecipar projetos estratégicos", explica.

O economista explica que o diferencial desse modelo é o foco no resultado e no compartilhamento de responsabilidades.

"O risco acaba sendo compartilhado, pois parte da construção, operação e manutenção fica com o setor privado. Além disso, esses contratos preveem indicadores de desempenho, qualidade e eficiência. Se as metas não forem cumpridas, a empresa pode sofrer sanções e penalidades", lembra.

Para o especialista, o alto nível de detalhamento orçamentário apresentado pelo Estado — que projeta gastos anuais superiores a R$ 2 bilhões a partir de 2033 — é uma exigência legal que confere robustez ao plano.

"A legislação exige que o Estado demonstre que terá recursos para honrar os pagamentos, independentemente de o contrato durar 20 ou 35 anos. Essa compatibilidade com o Plano Plurianual e com a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) é o que evita desequilíbrios fiscais e garante a segurança jurídica para atrair investidores para estes projetos", avalia. 

O impacto esperado vai além da entrega das obras. "Projetos de infraestrutura movimentam a economia local, geram emprego, aumentam a renda e atraem novas empresas", conclui o presidente do Corecon-CE.

Obra da usina pode começar ainda este ano

Idealizada pela Cagece, a usina de dessalinização é projetada para ser a maior do Brasil, com capacidade para produzir mil litros de água por segundo.

Segundo a Cagece, essa capacidade permitirá o abastecimento de cerca de 720 mil pessoas, fortalecendo o sistema hídrico que atende a Região Metropolitana de Fortaleza. O investimento é de pouco mais de R$ 3 bilhões para 30 anos de operação.

Atualmente, o projeto já recebeu aprovação do estudo de impacto pela Prefeitura de Fortalezamas "aguarda emissão do alvará de construção para início das obras", segundo a Cagece.

O órgão afirma ainda que "além disso, são necessárias, também, licenças e alvarás para remanejamento da rede de drenagem da região e construção de nova Areninha". Segundo o órgão, "as obras iniciarão após a emissão desses documentos".